PRP, PRF e i-PRF são a mesma coisa? Não

Embora PRP, PRF e i-PRF sejam produzidos a partir do próprio sangue do paciente e pertençam ao grupo dos concentrados plaquetários autólogos, existem diferenças importantes entre eles.
Essas diferenças envolvem principalmente:
- forma de preparo;
- utilização ou não de anticoagulantes;
- protocolo de centrifugação;
- consistência final;
- formação da rede de fibrina;
- concentração e distribuição celular;
- liberação de fatores de crescimento;
- aplicação clínica.
Por isso, entender essas características é fundamental para profissionais que trabalham com medicina regenerativa, odontologia, implantodontia, estética e outras áreas que utilizam concentrados sanguíneos.
Uma revisão sistemática publicada em 2025 comparando PRP e i-PRF mostrou justamente que diferenças no método de preparação e nos protocolos de centrifugação podem alterar significativamente as características do produto final.
O que é PRP?
PRP significa Plasma Rico em Plaquetas — em inglês, Platelet-Rich Plasma.
É provavelmente um dos concentrados plaquetários mais conhecidos.
O princípio consiste em coletar sangue do paciente e submetê-lo à centrifugação para separar seus componentes e obter uma fração plasmática com maior concentração de plaquetas.
As plaquetas não participam apenas da coagulação. Elas também armazenam diferentes mediadores e fatores de crescimento envolvidos em processos de reparação e regeneração dos tecidos.
Entre eles estão moléculas associadas à sinalização celular, angiogênese e reparo tecidual.
O PRP começou a se popularizar como uma das primeiras gerações de concentrados plaquetários e passou a ser utilizado em diferentes áreas, incluindo medicina esportiva, ortopedia, dermatologia, restauração capilar, cicatrização e odontologia.
Uma característica importante do PRP
Uma das principais diferenças está no preparo.
Em muitos protocolos de PRP é utilizado um anticoagulante durante a coleta ou preparação para impedir que o sangue coagule antes do processamento.
Dependendo do protocolo, posteriormente pode ocorrer ativação do PRP antes de sua utilização.
Outra característica importante é que existem muitos protocolos diferentes de PRP.
Podem variar:
- número de centrifugações;
- tempo;
- força centrífuga;
- tipo de tubo;
- anticoagulante;
- presença de leucócitos;
- método de ativação.
Por isso, dois materiais classificados simplesmente como “PRP” podem apresentar composições bastante diferentes.
Essa heterogeneidade é uma das razões pelas quais é importante não copiar protocolos de centrifugação simplesmente com base em RPM encontradas na internet.
O que é PRF?
PRF significa Fibrina Rica em Plaquetas — Platelet-Rich Fibrin.
Ela representa uma evolução dentro dos concentrados plaquetários.
Sua principal característica está na formação de uma matriz de fibrina, capaz de aprisionar plaquetas, leucócitos e diferentes componentes biológicos.
Diferentemente dos protocolos tradicionais de PRP, o PRF geralmente é produzido sem a utilização de anticoagulantes.
Com isso, o processo natural de coagulação começa após a coleta.
É justamente essa característica que permite a formação da estrutura de fibrina.
No PRF convencional, após a centrifugação é possível obter uma estrutura semelhante a um coágulo ou membrana.
Essa matriz pode atuar como um arcabouço biológico para células e mediadores envolvidos na reparação tecidual.
Qual é a principal diferença entre PRP e PRF?
Uma maneira simples de compreender é pensar na estrutura final.
O PRP geralmente permanece na forma líquida até sua ativação.
Já o PRF convencional forma uma matriz ou coágulo de fibrina.
Essa rede de fibrina modifica a maneira como os componentes celulares e fatores de crescimento permanecem no material.
Portanto:
| Característica | PRP | PRF |
|---|---|---|
| Significado | Plasma Rico em Plaquetas | Fibrina Rica em Plaquetas |
| Material autólogo | Sim | Sim |
| Anticoagulante | Frequentemente utilizado | Geralmente não utilizado |
| Estado mais comum | Líquido | Coágulo/membrana |
| Rede de fibrina | Menos característica | Marcante |
| Número de etapas | Depende do protocolo | Geralmente processo simplificado |
| Aplicações | Diversas | Principalmente regenerativas |
É importante observar que não existe apenas um protocolo universal para cada concentrado.
E o que é i-PRF?
Aqui aparece uma das dúvidas mais comuns.
i-PRF significa Fibrina Rica em Plaquetas Injetável, ou Injectable Platelet-Rich Fibrin.
Ela procura combinar algumas características interessantes do PRF com a possibilidade de utilização inicialmente em estado líquido.
O desenvolvimento de protocolos de centrifugação com menor força e períodos mais curtos permitiu obter uma fração de PRF que permanece líquida durante determinado período após a centrifugação.
Por isso recebe o nome de PRF injetável.
O i-PRF foi introduzido justamente para ampliar as possibilidades clínicas da fibrina rica em plaquetas, que anteriormente era utilizada predominantemente em sua forma sólida.
Se o i-PRF é fibrina, por que ele inicialmente é líquido?
Essa é uma excelente pergunta.
O protocolo de produção é desenvolvido de maneira que a transformação completa do fibrinogênio em uma rede sólida de fibrina ainda não tenha ocorrido no momento da coleta do material.
Assim, existe uma janela durante a qual o i-PRF permanece líquido e pode ser manipulado.
Posteriormente, ele passa pelo processo de coagulação e forma uma matriz de fibrina.
Essa característica possibilita diferentes formas de utilização e também a associação do concentrado com outros biomateriais, dependendo da indicação profissional.
Revisões científicas descrevem justamente o i-PRF como uma versão líquida do PRF obtida por alterações nos parâmetros de centrifugação e na tecnologia dos tubos utilizados.
PRP x PRF x i-PRF: veja as diferenças
Para facilitar:
| Característica | PRP | PRF | i-PRF |
|---|---|---|---|
| Plasma rico em plaquetas | Sim | — | — |
| Fibrina rica em plaquetas | — | Sim | Sim |
| Forma inicial | Líquida | Sólida/coágulo | Líquida |
| Anticoagulante | Comum em muitos protocolos | Geralmente não | Geralmente não |
| Rede de fibrina | Menos característica | Presente | Forma-se posteriormente |
| Pode ser injetável | Sim | Não na forma convencional | Sim |
| Centrifugação | Muito variável | Protocolo específico | Geralmente menor força/tempo |
| Liberação de fatores | Pode ter liberação inicial elevada | Mais relacionada à matriz de fibrina | Pode apresentar liberação mais prolongada |
| Aplicações | Medicina e odontologia | Principalmente regeneração | Regeneração e aplicações injetáveis |
PRP ou i-PRF: qual libera fatores de crescimento por mais tempo?
Essa é uma das diferenças mais interessantes.
Uma revisão sistemática publicada na revista Periodontology 2000 analisou 23 estudos comparando diretamente PRP e i-PRF.
Os pesquisadores observaram que, de maneira geral, o PRP apresentava uma liberação inicial mais intensa de determinados fatores, enquanto o i-PRF apresentava um padrão de liberação mais sustentado ao longo do tempo.
Essa diferença é atribuída, entre outros fatores, à estrutura de fibrina formada pelo i-PRF.
No entanto, isso não significa simplesmente que “i-PRF é sempre melhor que PRP”.
O resultado depende de fatores como:
- indicação;
- tecido tratado;
- concentração celular;
- método de preparação;
- equipamentos utilizados;
- protocolo;
- características individuais do paciente.
Inclusive, os próprios pesquisadores destacam que ainda são necessários estudos clínicos mais padronizados.
O i-PRF tem mais plaquetas que o PRP?
Depende do protocolo.
Na revisão sistemática de 2025, o i-PRF apresentou concentrações plaquetárias superiores ao PRP em vários dos estudos avaliados.
Entretanto, os próprios autores encontraram estudos utilizando diferentes tipos de PRP nos quais o resultado foi diferente.
Isso reforça um conceito fundamental:
não é possível avaliar um concentrado somente pelo nome PRP, PRF ou i-PRF.
O protocolo utilizado influencia diretamente o produto obtido.
A velocidade da centrífuga interfere no PRP e PRF?
Sim, e bastante.
A centrifugação é um dos pontos mais importantes na obtenção desses concentrados.
Quando o sangue gira no rotor da centrífuga, seus componentes são separados de acordo com propriedades físicas e com a força aplicada.
Porém, existe um erro bastante comum: avaliar protocolos apenas pela quantidade de RPM.
RPM significa rotações por minuto, mas esse número sozinho não informa exatamente a força aplicada sobre a amostra.
Para isso é necessário considerar também o raio do rotor.
RPM e RCF não são a mesma coisa
Esse ponto merece atenção especial.
Duas centrífugas trabalhando a 3.000 RPM, por exemplo, podem produzir forças centrífugas diferentes caso seus rotores tenham raios diferentes.
Por isso, muitos protocolos científicos utilizam RCF, normalmente expressa em ×g, em vez de informar apenas RPM.
A relação entre os valores pode ser calculada aproximadamente por:
RCF = 1,118 × 10⁻⁵ × raio do rotor em cm × RPM²
Isso explica por que copiar apenas RPM de um protocolo realizado em outra centrífuga pode gerar resultados diferentes.
Exemplo
Imagine:
Centrífuga A:
- raio do rotor: 8 cm;
- velocidade: 3.000 RPM.
Centrífuga B:
- raio do rotor: 13 cm;
- velocidade: 3.000 RPM.
Apesar de as duas mostrarem exatamente 3.000 RPM no painel, a força aplicada sobre os tubos não será igual.
Esse é um dos motivos pelos quais profissionais que trabalham com PRP, PRF e i-PRF devem conhecer as especificações da centrífuga.
Por que o i-PRF utiliza centrifugação diferente?
O objetivo do i-PRF é justamente impedir que determinados componentes celulares sejam excessivamente deslocados durante a separação e permitir a obtenção de uma fração líquida adequada ao protocolo.
O conceito de centrifugação de menor velocidade passou a ter grande importância no desenvolvimento dessas técnicas.
Entretanto, isso não significa que exista uma regra simples como:
“quanto menor a rotação, melhor.”
Não funciona dessa maneira.
Devem ser considerados conjuntamente:
- RCF;
- RPM;
- raio;
- tempo;
- rotor;
- angulação;
- tipo de tubo;
- volume;
- protocolo validado.
A literatura demonstra que alterações nesses parâmetros podem modificar significativamente a distribuição celular do produto final.
Qual centrífuga usar para PRP, PRF e i-PRF?
A escolha não deve ser feita simplesmente procurando a centrífuga que possui o maior número de RPM.
Para aplicações envolvendo concentrados plaquetários, alguns critérios importantes são:
Controle preciso da rotação
Uma variação grande na velocidade pode modificar o resultado do protocolo.
Possibilidade de trabalhar com diferentes velocidades
PRP, PRF e i-PRF podem exigir configurações bastante diferentes.
Raio do rotor conhecido
É importante principalmente para converter RPM em RCF.
Compatibilidade com os tubos
O rotor precisa ser adequado ao comprimento, diâmetro e volume dos tubos utilizados.
Timer
Permite padronizar o tempo de centrifugação.
Estabilidade do equipamento
Vibração excessiva ou desequilíbrio pode prejudicar o processamento e também diminuir a vida útil do equipamento.
Protocolos compatíveis
Sempre que possível, procure equipamentos cujas informações técnicas possibilitem reproduzir o protocolo pretendido.
Então uma mesma centrífuga pode fazer PRP, PRF e i-PRF?
Em alguns casos, sim, mas não automaticamente.
O fato de uma centrífuga atingir determinada quantidade de RPM não significa que ela seja adequada para todos os protocolos.
É necessário verificar:
- velocidade mínima e máxima;
- RCF correspondente;
- raio do rotor;
- timer;
- tipo de rotor;
- compatibilidade dos tubos;
- capacidade;
- recomendações do fabricante;
- exigências do protocolo utilizado.
Por isso, antes de comprar uma centrífuga para PRP ou PRF, vale comparar as especificações técnicas e não apenas preço e RPM máxima.
Veja também: nossos reviews e comparativos de centrífugas para PRP, PRF e i-PRF antes de escolher seu equipamento.
Aqui é um ótimo ponto para você colocar um link interno para seus reviews de centrífugas.
Qual é melhor: PRP, PRF ou i-PRF?
Não existe uma resposta universal.
A escolha deve estar relacionada ao objetivo clínico.
De maneira simplificada:
PRP pode ser interessante quando se deseja um concentrado líquido e existem protocolos já estabelecidos para determinada aplicação.
PRF apresenta uma matriz sólida de fibrina e pode ter vantagens em situações nas quais essa estrutura física é desejável.
i-PRF mantém inicialmente uma característica líquida enquanto incorpora propriedades relacionadas à fibrina, proporcionando possibilidades diferentes de utilização.
Uma revisão de 2025 encontrou resultados favoráveis ao i-PRF em grande parte dos estudos comparativos avaliados, além de liberação mais prolongada de fatores de crescimento. Contudo, os autores também ressaltaram a necessidade de mais pesquisas clínicas e maior padronização dos protocolos.
Portanto, não seria correto afirmar simplesmente que um deles substitui os demais.
Onde PRP, PRF e i-PRF são utilizados?
Esses concentrados aparecem em diversas áreas.
Entre elas:
- odontologia;
- implantodontia;
- periodontia;
- cirurgia oral;
- medicina regenerativa;
- ortopedia;
- medicina esportiva;
- tratamento de algumas lesões;
- dermatologia;
- estética;
- terapias capilares.
Na odontologia regenerativa, por exemplo, pesquisas estudam a utilização do i-PRF em tecidos moles e duros da região oral e maxilofacial.
Existem também pesquisas recentes avaliando seu emprego em periodontia, procedimentos odontológicos e outras áreas regenerativas, embora o nível de evidência varie de acordo com a indicação.
O tipo de tubo também importa?
Sim.
Não é somente a centrífuga que influencia o resultado.
As características dos tubos também podem afetar o processo de coagulação e separação.
No PRP, alguns protocolos utilizam tubos contendo anticoagulantes.
Nos protocolos de PRF, por outro lado, a ausência de anticoagulante é uma característica importante.
Além disso, características como:
- material;
- tratamento de superfície;
- hidrofobicidade;
- rugosidade;
- presença de aditivos;
podem interferir no processo.
Estudos sobre i-PRF destacam inclusive a importância do tipo de tubo na obtenção da fração desejada.
Resumindo: qual a diferença entre PRP, PRF e i-PRF?
Se você chegou até aqui procurando uma explicação rápida, guarde o seguinte:
PRP: plasma enriquecido em plaquetas, geralmente preparado com anticoagulante e utilizado inicialmente na forma líquida.
PRF: fibrina rica em plaquetas, normalmente preparada sem anticoagulante e que forma uma matriz de fibrina.
i-PRF: versão injetável da fibrina rica em plaquetas, obtida por protocolo que permite que permaneça inicialmente líquida e posteriormente forme fibrina.
Os três são derivados do próprio sangue do paciente, mas não são produtos equivalentes.
Perguntas frequentes sobre PRP, PRF e i-PRF
PRF é a mesma coisa que PRP?
Não. Embora ambos sejam concentrados autólogos derivados do sangue, seus métodos de preparo e suas estruturas finais são diferentes.
Qual a diferença entre PRF e i-PRF?
O PRF convencional forma um coágulo ou membrana de fibrina. O i-PRF permanece inicialmente líquido, permitindo outras formas de aplicação antes da formação da rede de fibrina.
O PRP utiliza anticoagulante?
Muitos protocolos utilizam. Porém, existem diferentes métodos de preparação de PRP, portanto é necessário verificar o protocolo específico.
O i-PRF utiliza anticoagulante?
Os protocolos clássicos de i-PRF são desenvolvidos sem anticoagulantes.
RPM é suficiente para configurar uma centrífuga?
Não. Para reproduzir adequadamente uma força centrífuga é importante conhecer o RCF e o raio do rotor.
Toda centrífuga serve para PRF?
Não. É necessário avaliar características como faixa de rotação, RCF, raio do rotor, compatibilidade com tubos, estabilidade e protocolo utilizado.
Uma centrífuga de PRP pode produzir i-PRF?
Depende das características do equipamento e do protocolo. Deve-se confirmar se ela consegue produzir corretamente a força centrífuga e demais condições necessárias.
PRF é melhor que PRP?
Não necessariamente. A escolha depende da aplicação e do protocolo. Estudos apresentam resultados diferentes de acordo com a finalidade.
i-PRF é melhor que PRP?
Uma revisão sistemática recente encontrou resultados favoráveis ao i-PRF em grande parte das comparações estudadas, mas isso não significa que ele seja superior em todas as indicações.
Conclusão
Entender as diferenças entre PRP, PRF e i-PRF é essencial para compreender como funcionam os principais concentrados plaquetários utilizados atualmente em diferentes áreas da medicina regenerativa e da odontologia.
Apesar de todos serem derivados do sangue do próprio paciente, mudanças aparentemente pequenas no processamento — como tempo, força centrífuga, tipo de tubo e utilização de anticoagulantes — podem produzir materiais biologicamente diferentes.
O PRP permanece como uma técnica amplamente utilizada; o PRF introduziu uma matriz natural de fibrina; e o i-PRF ampliou esse conceito ao permitir a obtenção temporária de uma versão líquida e injetável da fibrina rica em plaquetas.
E é justamente por isso que a escolha da centrífuga, dos tubos e do protocolo adequado é tão importante quanto conhecer a sigla utilizada.
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